Ordem da Confraria Elementar Primeira do Brasil

Fundamentos mágicos no umbanda 3 

No ano de 2008,  durante  o  curso  de verão que são aulas especiais, resumos e sínteses dos fundamentos que professamos, o tema da primeira reflexão foi o Umbanda, o espiritismo de Umbanda, a Umbanda, a religião de Umbanda é outro assunto, e uma outra reflexão. Mas remontemos aquela aula pela importância para quem pretende compreender nossa linha de orientação.

Raramente paramos para refletir na profundidade e no significado das manifestações, uma atitude simples como indagar onde é que os espíritos  existem,  ou  se  os santos das igrejas atuam, isso significa que eles existem em algum lugar, e que lugar é esse? E se podem atuar sobre nós quando invocados, há  outros  que  atuam  por  serem atraídos, como ocorre essa ligação entre os planos dimensionais, dos   "vivos, densos, materiais" e  dos  "sutis e espirituais", é isso o mundo dos espíritos e da magia que nos falavam as mitologias e as lendas?  Como  é  possível  que  um  médium  tenha  incorporado  um ser, que o possui total e parcialmente e não queira saber de que é feito,  o  que  significa,  o  que  representa,  a  que  verdades  conduz. Temos preguiça intelectual, em nossa grande maioria não somos afeitos  à  reflexão,  desde  os  bancos  escolares  e  no  lar,  onde  a  linguagem  coloquia l é,  em geral, descritiva e não interpretativa, acostumamos  assim:  Assistir filmes sem perguntar o que o autor quis dizer, reportagens sem questionar as intenções do divulgador e até ouvir políticos, e neles votar, o que é pior, sem saber que forças ele representa e que interesses, de quem e quais as intenções  por trás de seus atos. Isso  é  uma  condição  passiva  de  existência  que  contraria  tudo o que aprendemos em contato com os "espíritos", quando  uma  das  primeiras  constatações  é  a  de  que  estão  refazendo  ou  reconstruindo  situações  do passado, quando existimos, trazendo   à manifestação criaturas e outros espíritos, ligados aos "vivos" que seus perseguidores ainda atuam negativamente e outros que, por sua compreensão passam  de obsessores a protetores,  reproduzem-se situações de modo a que possa haver uma superação e um aprendizado. Podemos mesmo  dizer que em grande parte, "o que estamos vivendo hoje é uma condição de ser que fomos, que não superamos,  que  de  alguma  forma  somos  nós  nos  manifestando", colhemos a consequência de nossos atos e do que fizemos, tanto como indivíduos como sociedade, ou grupos. Não é  uma  constatação simples a menos que se possua algum treino e algum senso sobre a  Lei  da  Causa  e  do  Efeito,  uma  das  leis  do  plano  espiritual.  Educação  não  é  passividade, nem  controle, uma criança quieta ou controlada  não é uma criança educada é apenas uma criança quieta e até hoje se confunde comportamento com educação. Até quando. Um  médium  passivo  pode   não   ser   o  melhor   para   o   mundo   espiritual, nem  para  a  sociedade  onde ele existe. Por sua vez há uma  Umbanda  iniciática,  como  processo  de  construção  desde  as  fases  iniciais,  da  educação  do  comportamento,  corrigindo   as expressões, a fala, os sentimentos, as posturas do médium, do "aparelho" conforme a entidade dominante. Mas a expressão "cavalo do orixá", não  é  uma  expressão  do  Umbanda e sim do candomblé de nação, no Umbanda o médium atua antes por sua mediunidade que pelo assentamento e pela devoção a um orixá. Em  momento algum ele é "cavalo do orixá" e sim o devocional como aos outros espíritos com  o  qual  sintoniza  e  que  por ele se manifestam. Observando as sessões notamos um intenso movimento de espíritos humanos ao mesmo  tempo  em  que  criaturas  de  outros  reinos  se  manifestam  acompanhando  o  "principal", seja ele um preto-velho, um orixá intermediário  ou  menor, um caboclo  ou um exu. Acima deles estão os chefes das falanges que raramente se manifestam e em alguns terreiros são chamados de guias.          

As  sessões  são  importantes  para  reforçar  essa  ligação  entre  a  sociedade  civil  e  humana  e  a sociedade espiritual, a organização espiritual  sobre  a qual temos de efetuar muitos estudos. Observando as salas de aula notamos o aumento da condição de incorporação num e  noutro  médium  e  se  a  incorporação  pode  ser  usada em benefício da comunidade, não é uma incorporação pessoal, de seres apenas  ligados   ao  médium,  condição  que  modifica  todo  o  processo  e  pode  impedir  um  médium  de   avançar  e  os seres  de  se beneficiarem. É  o  efeito  nos  outros e as realidades que acompanham o espírito que mostram de que lado ele está, a serviço de quem ele  está.  Muitas  pessoas  se  mediunizam nas sessões e nas aulas, mas estão dando vazão ao que lhes acompanha ou aos sentimentos que possuem e neste caso dos seres atraídos por ela por identidade e semelhança. Não significa que consiga ser útil. É  o que chamo de incorporação pessoal, e muito tem de ser feito na implantação de escolas de médiuns para que haja a educação da pessoa, mais  do que a construção do canal. De alguma forma tudo acontece dentro  dos nossos corpos, de tal modo que as energias em movimento parecem criar um choque, resultado  do  impacto  dos  seres  e  das  forças  sobre  o  corpo  físico  e  etérico  do médium que precisa se preparar mentalmente para essa realidade que nele acontece e ganha corpo.

Umbanda   por quê?  Não  poderia  ser  apenas  espiritismo?  Sim, de  alguma  forma  o  Umbanda é um espiritismo com essa roupagem multirracial, incorporando os fetichismos, os traços humanos de quando os seres viviam e criando com isso enorme  confusão na mente dos médiuns,  que  precisamos  entender  que  as  formas  adotadas  tem  a  ver  com  os  locais  onde viveram e vivemos mais do que a realidade dos espíritos, pode ser naquilo em que estão ainda presos, com o que vieram resgatar, as virtudes e os  atributos. A forma de um  soldado  de  um  falangeiro  de Ogum não será a mesma deste espírito quando estiver atuando no atributo da justiça e auxiliando o médium  a  perceber  as diferenças que existem. As formas são construções mais que verdades definitivas e quando ainda estão presos na forma, esta pode ser uma construção temporária até que superem aqueles aspectos necessários e passem para outro estágio. Nossa personalidade  reflete  uma  situação  igual e  conforme os sentimentos adotados ou provocados noss aparência muda no plano interno, das  energias  sutis  e  com  isso  nossa  aparência  espiritual.  Porque Umbanda? Por permitir que os "espíritos" se manifestem com as aparências  que  possuíam. Este  estudo  e conhecimento teria de ser passado para todos para que haja a compreensão do que acontece nos cruzamentos e nos trabalhos  mais  avançados,  quando  os médiuns  e suas entidades são colocados em contato com outras forças, que se encontram, "se  cruzam" nos  corpos  internos  do  médium,  provocando  alterações  e despertamentos, mais do que proteções, alterações  para  mais  que  resultarão  em algum momento na transformação evolutiva, do "espírito" em manifestação e do espírito do próprio médium. O que sou obrigado a fazer? Pensam  muitos, não  é uma questão de obrigação mas de movimento das forças e não de estagnação, a obrigação é com a vida, com toda a vida que existe pois  os  seres  não  se  manifestam sozinhos. Há um benefício para o médium, que representa o que chamo de sustentação das entidades, mas isso tem de ser trabalhado e melhor explicado, o que faremos ao longo de nossas explanações. Há  médiuns  sensacionais,  fenomênicos,  mas  ao  final  de  um  tempo  no  espiritismo  de  Umbanda terminam com medo ou não realizando em si mesmos as mutações e o contato é a possibilidade da mutação, o não desenvolvimento  ou a interrupção  podem  representar  para essas pessoas a doença mediúnica. Houve tempo em que pensamos que pessoas internadas em clinicas psiquiátricas,  drogados,  alcoólatras  e  psicopatas,  eram  as  criaturas que neles habitavam, portanto um processo mediúnico, depois  descobrimos  que  eram  as  duas realidades, o  que não haviam superado em si mesmos,  desafios que  vieram viver, marcas do passado  a  ser  superadas  e  as  criaturas  a  elas  ligadas,  que  os seres eram resultado e não a causa da perturbação. Temos milhares de terreiros no Rio Grande do Sul e a qualidade do desenvolvimento mediúnico na maioria  é  vergonhosa, o despreparo dos dirigentes e dos  médiuns  é  constrangedora.  Fazem  religião e  não  desenvolvimento,  ao  final  de  um  período  de  trabalho  nada aconteceu com a  mente e com a personalidade do médium, os seres que atuavam,  não  atuam  mais, e  o  seu espírito, o  espírito do  próprio  médium está mais próximo  ou  mais  distante? É  preciso  observar  com  cautela  a  questão  religiosa,  mas a mediúnica é uma emergência,  os dirigentes precisam  reconhecer  a  falta  de  orientações  e  de  federações preparadas para socorrê-los. Convivendo com Moab  Caldas e visitando   vários  centros  de  umbanda e  terreiros  entre  1974  e  1976 e depois no início da década de noventa, a questão maior que enfrentávamos  era  convencer  os dirigentes  que  a  escola  de médiuns era uma necessidade, e a maioria deles pensava  que fazer um médium  incorporar  era  estar  desenvolvendo,   nenhum   estudo,   nenhum   aprendizado, nada   sobre  as duas dezenas de faculdades mediúnicas   e   os  diferentes tipos de  espíritos  que  através  delas  podem  ser percebidos e se manifestarem, ainda hoje precisamos defender e proteger os dirigentes das casas, mas acima de tudo socorrê-los, protegê-los da doença do ciúme, do medo, da ignorância.

A  maior  parte   ainda  tem  medo e tentam se proteger daqueles seres que eles vieram aprender a conhecer  e a comandar! Em defesa do Umbanda  podemos  afirmar  que  é um espiritismo sim, e que nele há a liberdade de manifestação, e que foi  criada  pelos  espíritos para realizarem a transformação dos espíritos. Há  desde  1980  bons  livros  sobre  o  assunto  e faltam as sínteses interpretativas e os depoimentos dos envolvidos. Pode-se dizer que ninguém sabe dizer o que é realmente o  Umbanda,  percebemos  que  desde 1890 tipos específicos de espíritos se organizam em  falanges  e  passam  a  atuar  em  regiões  do país, concentrando nas reuniões e em torno de pessoas diferentes tipos de criaturas, movendo profundamente  os sentimentos  e   por  fim  dominando  e  alterando  a  personalidade de muitos, estes  passam  a  agir  sob  o   comando  destas  realidades espirituais, dominantes, são  os  "caciques", os guias, como   são chamados, e  até  orixás, com  a roupagem da região  de  origem  se  fundindo  com  as  forças  do  próprio  local  ou  do  país.  A  partir de  1960  até  o   fim   do  século  as  entidades que acompanham  os  negros,  como  os  orixás  africanos  e  os  exus  tem predominado sobre os orixás  brasileiros, os  caboclos  e   os preto-velhos, mais  pela  necessidade  negra  de  ter  uma  identidade  racial,  suprimida em  grande  parte  do país  pela  classe dominante e que termina  influenciando  todo  o movimento espírita de umbanda no país, mas o Umbanda não tem nada a ver com o africanismo e com o candomblé, a  manifestação  dos  orixás  menores  e  dos   intermediários  é  a manifestação   dos  espíritos  de  africanos  em  suas  famílias  espirituais,  apenas  isso. A  valorização  da  cultura  negra  é  antes  um fenômeno  sociológico  e  antropológico que verdade espiritual. Suprimida  a  identidade  nacional pelos grupos econômicos dominantes, imposta  uma  realidade cultural e religiosa com forte conotação europeia, a população mais simples do país se viu sem uma identidade, e  é   possível  que   seja  esse   o  interesse  dos  governos  de  então   na   república  que  se  estabelece.  A  religião  nacional  não  é o espiritismo, temos de imitar os países europeus, desde o início a imprensa, sempre comprometida pelo empregador ou o  patrocinador, ou  seu  mecenas  particular, serve  aos  interesses  e  não à verdade, ela a imprensa nega a quantidade de terreiros e existência do que poderia ser a religião nacional: o espiritismo. Os próprios espíritas adotam a  linguagem  oficial  e  negam  o  Umbanda  que  vêm   como afirmou  Edgard Armond,  "como precisando ser educado e polido", que os dirigentes deveriam combater as "cabriolagens"  embora  no fim  tenha  dito,   depois  de  infrutíferos   esforços  "tudo  é  espiritismo",   mas  o   estrago  foi   feito. O  preconceito  foi  criado,   a separação   dos   espíritas   que   não   poderiam   incorporar  e  tinham  de   controlar  a  manifestação  de  um  lado,  e  os médiuns  de incorporação    mais  intensa  estava  feita  e  estes  foram  empurrados  para fora dos centros espíritas  que  adotavam  o  kardecismo, racionalização cartesiana, submetendo os  médiuns   e   aos  seres  a  uma  aparência,  sequer observaram  clarividente  o que acontecia em cada incorporação, porque e onde ocorriam. Separados  pelo canal da mancha na Europa os interesses  de  França  e da Inglaterra se reproduziam  pelo  mundo  o  cartesianismo  e  opunha  ao  empirismo  inglês e as vítimas terminam sendo os médiuns. Os  negros  tem utilizado  a  bandeira  da  identificação  racial,  dando conotação africanista ao umbanda deslocando e alterando  o verdadeiro  propósito das entidades, há uma supervalorização das coisas do negro e um resgate da imagem do negro, mas é um  equívoco  grave  que  precisa  ser  corrigido. Como   o  padre   quando  fala  de  Deus   e  por  que  fala  em  nome dele  não pode ser questionado,  o  médium tem de bater a cabeça para o orixá sem saber quem é o que representa.   

A  presença  das  entidades  e  espíritos   é real  e  é  preciso  compreender  o  que  significam em  cada  caso,  cada  local e região e em cada época. Temos  umbanda,  candomblé,  trabalhos  de  mentalismo,  onde  invocam  seres  e  tentam  trabalhar racionalmente, há os esoterismos  e  variações  de  todo  gênero  numa  mesma região, conforme a cultura e o grupo social, conforme as manifestações e os rituais  que  as  determinam  pode  haver um maior ou menor benefício para o médium e até prejuízo. Existem espíritos humanos e não humanos,  desenvolvidos  e  não desenvolvidos,  conhecidos  e  muitos  que não fazemos a menor ideia do que significam. E ainda fica a questão de  onde  eles  existem,  o  que  significam  e  do  que  são  feitos  os  corpos dos espíritos? Que matéria é esta? A atuação dos espíritos  e  dos  seres  pode  ativar  os centros internos, que a maioria dos médiuns desconhece, e que as escolas de médiuns deveriam ensinar, nem  todos  os  seres  que  existem  servem  à  humanidade.  Há  as  entidades  de  espíritos  humanos  evoluídos e até mesmo invertidos  e  muitos  outros  que não sabemos  o que são. No contato com os seres no quimbanda e candomblé existe necessariamente uma  alteração  mais  intensa  na  energia e no emocional do médium, podendo haver o comprometimento da estrutura do médium pela sequencia  a  que  ele  é  submetido,  podem  alterar  profundamente   a   sua  autonomia  e criarem uma condição de dependência onde terminam  ocupando  e determinando influências na personalidade da pessoa do médium, mas esse fator quando corretamente aplicado pode  ser  positivo  e  um   corretivo, desde que as manifestações ocorram paralelas à sua realidade espiritual e em nome do próprio ser interior  do  médium,  sua  alma. A  maioria  dos  terreiros  tem  a  sessão  de  desenvolvimento,  focada  na  questão  comportamental, moralizadora, onde as mediunidades não são orientadas e nem treinadas. Na maioria dos terreiros as  entidades  ficam subordinadas ao dirigente da casa. Existe uma ligação entre os chacras e as entidades, fato que evidencio no último trabalho e que precisa ser usado em benefício dos médiuns. O cruzamento é essa ligação levada a um grau maior de efeitos. É preciso ligar o  Umbanda aos chacras, há uma pressão  das  entidades  para  que  esse  conhecimento  se  estabeleça  e  seja  a  base  das  ações  diárias  do médium, de tal forma que terminamos  sendo  entidades  vivas  movendo  a  força de nosso próprio espírito, isso ocorrendo simultaneamente com a presença dos espíritos "aliados", dos protetores espirituais que atuam nos chacras,  daqueles que respondem pelos corpos, dos que respondem pelas ações  e  outros  que  trazemos  ao  longo das  vidas.  Somos  entidades vivas. Precisamos  fazer religião como religiosidade e não como crença, como conhecimento, nunca como anulação de si mesmos, e sim como  afirmação  da  própria existência enquanto criaturas que possuem seu espírito e sua alma. Espírito e alma. A religião visa  ligar ou religar o homem a alguma coisa em algum lugar dentro, e se  a prática  do  umbanda  não  PERMITIR QUE O NOSSO SER CRESÇA ENTÃO ESTA PRÁTICA ESTARÁ ERRADA. Não há nenhuma chance de criarmos correntes  particulares  e  interpretações  particulares  acreditamos  que  as liberdades permitirão ao indivíduo crescer, Este é nosso  trabalho  hoje. As  religiões  até  aqui  têm trabalhado com formas e criaturas que existiram. Cadê os seres do hoje do presente, onde estão  as  entidades  do  futuro,  aquelas  que  respondem  pelo  amanhã? Como  elas   são,  quem  elas são, quais suas formas? O processo espírita tem levado em conta as criaturas que necessitam de nós para seu crescimento, e as outras, não existem? 

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