Ordem da Confraria Elementar Primeira do Brasil

Fundamentos mágicos no umbanda 1

 magia  existe  em  todas  as  religiões,  comentários  sobre  a magia no catolicismo ou no espiritismo, ou no budismo será um desafio agradável  de  fazer  e  necessário para os leitores. Hoje tratarei sobre o que denominarei de magia branca no Umbanda, cuja aceitação pode  ser  comprometida  por  interpretações  equivocadas  de  alguns   autores  como   afirmou  recentemente  Rubens  Sarraceni,  em programa  na  mídia, de que a Umbanda (religião) tinha como finalidade a caridade, escutei afirmações semelhantes quando participava de  programas  de  rádio   patrocinados   pela   Federação  de   Umbanda  de  Caxias  do  Sul, liderado por Saul de Ogum, cuja iniciativa é extremamente saudável,  mas  nunca  pude  expressar as opiniões conforme a necessidade dos leitores. Os assuntos polêmicos exigiam uma profundidade que somente pode ser atingida ao remetermos os leitores à progressiva reflexão, uma construção de conhecimentos e não opiniões.  Falar  que  a  Umbanda  se  presta  à caridade é um absurdo e uma confusão que se esclarece se os leitores/estudantes remeterem  ao  século  XIX,  durante  as  crises  europeias  resultantes da revolução industrial. Nela, milhões de indivíduos evadidos do campo  que  buscaram  trabalho  e  sobrevivência  na  cidade,  com  o  advento  da  engenharia  mecânica  e  das  máquinas, terminaram formando  contingentes   de   miseráveis,  notadamente  na  Inglaterra, mas é um fenômeno europeu que se estenderá pelo mundo nas décadas seguintes, originando inclusive a libertação dos escravos no Brasil.

Esse  contingente  de  miseráveis  foi  socorrido  por  movimentos como a Cruz Vermelha, a caridade pública era a salvação para muitas pessoas  e  o  único  meio de sobrevivência, complicado por problemas de clima e da carência na produção alimentar, "Sem caridade não há salvação", era a expressão adotada por muitos dos socorristas, nada tem a ver com o espiritismo nem com os espíritos, estes, como toda a criatura estão dentro da lei do evolucionismo, não há espíritos salvacionistas  nem criacionistas, todos os espíritos atuam dentro de  leis  ainda  pouco  conhecidas, mas contidas no que entendemos seja uma relação complexa de forças, seres e reinos, nunca apenas uma  relação  humana  e  menos  ainda  fora  das  leis  de  evolução  cósmicas.  O  que  se  percebe e pode causar confusão é a forma da manifestação  e  a  linguagem  muitas  vezes  determinada pela mente do médium ou pela situação em que ocorre a manifestação, esta como  tem  de ser sabida, depende da mediunidade disponível do médium, seu treino e sua intenção. O espírito é sempre uma projeção da alma, uma  construção  a  partir  da  alma,  que  existe  em  outra  dimensão,  pode-se  dizer  que  o  espírito  é  uma  projeção, uma precipitação.  Em  muitos  casos  a  alma  ensaia  suas  primeiras  projeções  e construções no reino humano, não vai além dos corpos, o espírito  em  que  se manifesta, pode-se dizer também que todos os espíritos são resultado da evolução anterior desta alma, e por isso "sabem"  que  a  evolução  se  dará pelo cumprimento de etapas e pelo desenvolvimento  ocorrido pela sintonia com essa alma, que nele desenvolve.  Há  os casos em que a alma está nos níveis iniciais de desenvolvimento como nos elementais, nos reinos mineral e vegetal, e depois no animal, o que pode ser observado pelos próprios médiuns  ao aplicarem a mediunidade de projeção, por deslocamento astral ou  em  sintonia  profunda  com  suas  próprias entidades, às quais pedem para observar e ser esclarecidos sobre as etapas da evolução: passamos  por  todos  os  reinos  e  trazemos  estas marcas dentro de nós. No estágio humano a alma constrói menos formas e executa funções mais complexas, avança em poucos corpos ao mesmo tempo, mas os espíritos permanecem existindo como eram nos tempos e espaços  em  que  se  construíram,  podem  mesmo  ser  as  prisões  das quais se libertam pela experiência viva da reencarnação. A isso chamamos  de  existência,  o  espírito  é  uma construção da alma, ou uma casa para a alma. Entender que o espírito é uma projeção ou uma  construção  é o primeiro passo, e cada manifestação ocorrerá dentro de um raio, uma linha, uma família espiritual, desenvolvendo um atributo, ligado a um signo, uma condição solar ou lunar e atributos que darão origem a uma nova construção ou uma nova vida.

Entendemos  hoje  que  os  espíritos  evoluem  através  das  linhas,  dos  signos  e  dos  raios,  assim  permanecem  numa ou mais vidas desenvolvendo  atributos  que somente existem na linha de Xangô, por exemplo, a noção de justiça, o equilíbrio e dando continuidade à vida onde  este  aspecto  foi  determinante,  como  vítima  ou  como  algoz, ou como virtude a desenvolver, quando mal usada, como no carma. O  atributo  a  desenvolver  determina  à linha, o signo, a família espiritual e até onde ocorrerá o nascimento. Se a origem dessa vida ocorreu  quando  se  era um nativo, será muito provavelmente um caboclo, se foi no oriente numa ação política, virá como hindu, e assim por  diante,  mas  dentro  da  linha  de  Xangô, como legionário ou como falangeiro, isso é na qualificação de hoje, em alguma das legiões  ou  da s falanges  que  as  compõe.  Assim  determinamos  os  que nascem e aqueles que se manifestam junto aos nascidos que realizam a mutação em si mesmos através dos elementos ocultos nos corpos, e pelo contato com os elementais e elementares, os anjos e os orixás, nada ocorre isoladamente, nem por caridade. Um outro saber necessário são as obrigações e as saudações. 

As  saudações  fazem  parte  dos  elementos sonoros aos quais responde ou fazem vibrar o espírito, são os mantrans, mantras ou orikis (em  linguagem  ioruba). A  saudação  básica  no Umbanda é: SARAVÁ.  Este cumprimento é feito com  um joelho, ou os dois joelhos no chão  e  curvando  se  toca   o   solo  com  a  testa   três   vezes, repetindo mentalmente: Saravá. Outra postura equivalente aos mudras indianos é a  mão  fechada  sobre  o   centro  cardíaco,  ou  sobre  o  coração,  que é muito  própria da manifestação das entidades, mas no centro cardíaco  está a referência a Oxalá, orixá incriado, ao qual referem todos os espíritos, ainda que não africanos e no Umbanda por  todos  os  espíritos  em  manifestação,  não  como  sendo  Oxalá  um  ser,  mas  um  princípio.  Os  orixás  merecerão  comentários à   parte, e representam    um   desafio   para  o  Umbanda,  onde  inicialmente  não  se  manifestavam,   pois   os   primeiros   terreiros tinham  a manifestação  dos  caboclos,  dos  preto-velhos   e  das   "crianças",   junto  aos  quais  se  manifestavam criaturas dos reinos básicos  e   elementais  como  eram tratadas  as  iaras  e  sereias,  quando  da invocação das águas, de Nossa Senhora, num sincretismo simplista, e  na  limpeza  dos  terreiros.  Aos  poucos  em todo  o  Brasil  se manifestam a partir de 1960, espíritos de outras origens, se funde o  Umbanda   com  o  africanismo,  sem  perder  sua  identidade,  orientais,  e  outros  seres  se  manifestam mais e mais, são os médiuns e  os dirigentes mal orientados, pela falta de instituições que os auxiliassem, pelo isolamento que a imprensa e o meio cultural produziam,   que  gerou  as  confusões.  Os  orixás  são   manifestações   de   espíritos   não   apenas  humanos,  numa  vasta extensão, originados    no    antigo    continente    africano    e  nos   lemurianos,  ligados   às   origens   planetárias   remotas e que estiveram nos enfrentamentos de seres em manifestação e atraídos  á  terra,  muito  anteriores  ás  manifestações  ocorridas  junto  aos  sumérios  e os  persas,  que  de algum modo reaparecem sutilizadas  no  Egito.   O    espiritismo  nos  remete  às  origens   planetárias   do   homem e  não tem  nada  a  ver  com  caridade  e  sim com reconstrução  e   evolução.  Sobre  isso  peço  atenção  sobre  o artigo  seguinte.  As manifestações   recebem   denominações   conforme  a  sintonia   e   a    decodificação   dos   aparelhos,  e   das  culturas  às  quais  são associadas,  do  norte  do país ao sul, por isso é diferente o entendimento do que sejam os orixás, os espíritos, os orixás africanos, dos orixás  brasileiros,  dos   orixás   ancestrais;  dos  exus humanos e os exus  elementais  e  elementares,  dos  espíritos  em  falanges  ou famílias  espirituais   ligadas  ás  raças   e   ás épocas   da   existência   anterior  do   homem - exigindo   dos   médiuns   muitas    vezes conhecimentos  históricos  além da formação escolar simplória que recebemos. A  manifestação  dos  orixás  e  dos  exus  no  Umbanda  não cria a necessidade de mantrans e orikis, que não criam profundidade e faz parecer  ao  praticante  novato  que  há  um  mistério  a  que  adentra por dizer isso ou aquilo, saudar uma entidade com um oriki,  é  um preciosismo, se não se souber o significado é busca de originalidade e vaidade mal disfarçada. Saravá,  é  simples e  eficiente, diz tudo,  é uma saudação! As obrigações são outro desafio, elas existem  de  várias maneiras, como  fortalecimento  do  médium,  para  agradecimento  às entidades,  ou  como meio de ligação com as mesmas.  Assim  toda  a  vela,  toda a oração, todo o apelo, todo o oriki ou mantran podem ser elementos de ligação, e a força colocada em movimento é a magia.

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