Ordem da Confraria Elementar Primeira do Brasil

Cruzamentos, obrigações e firmações no umbanda - 1 

Há vários  impedimentos  para  aqueles  que  pretendem  entende r o espiritismo, notadamente o de Umbanda, contribuindo para isso a falta  de  informações melhores sobre a magia existente e o medo da própria palavra, pois bem, há uma magia conhecida e outra oculta em  quase  todas  as  religiões.  A magia quer dizer de alguma forma as energias e os seres que são colocados em movimento por algum ritual  ou  prática.  Assim uma oração é um ato de magia e o alcance do ato mágico está em quem responde, as energias e os efeitos no próprio   individuo   ou   naqueles   onde   focaliza  sua  atenção.  Na  magia  prática  do  umbanda  podemos  falar  dos  cruzamentos   e obrigações os  cruzamentos  incidem  sobre  os corpos dos participantes e fazem uma ligação com os seres, espíritos e entidades, nas obrigações,  principalmente  as  de agradecimento, os beneficiários principais são as próprias entidades, seus reinos e os seres e forças que são capazes de colocar em movimento. O reconhecimento do médium as torna mais fortes e potentes. Existem ainda as obrigações de fortalecimento, de reforço, feitas  com  o fim de aproximar as entidades, e os espíritos que compõe sua manifestação em benefício de  uma  necessidade,  em  geral  física,  do  médium.  Preferimos  aceitar  as  obrigações de fortalecimento como uma aproximação do médium  com  as  entidades  dos  reinos  aos  quais naturalmente todo o gênero humano está ligado e desta forma beneficiando física e emocionalmente  o  atendido.  O  cruzamento  pode  visar o fortalecimento dos corpos internos se esse conhecimento existir no grupo, mas esse fortalecimento sempre ocorre, será facilitado se houver o esclarecimento no praticante.   

Outra  questão  crucial  está  nos  conceitos  que  o  praticante  tenha  sobre  sua  constituição  interna,  e  outra  sobre  onde atuam os "espíritos,  as  entidades e  até  os  obsessores",  esse  conhecimento é essencial para que se possa entender alguns dos rituais senão a grande  maioria  deles.   Há uma  diferença entre o que pensam e praticam os muitos religiosos, mas em se tratando de Umbanda o que existe  é  desconhecimento.  O  nome  Umbanda,  espiritismo  de  Umbanda,  terminou  a  partir da década de sessenta profundamente influenciado  pelo  candomblé  e  pela  quimbanda. E assistimos muitas casas com grandes dificuldades de lidar com os "Orixás", como a presença de  Ogum,  não como São Jorge, que era o pensamento inicial, numa visão sincretizadora de que fossem as mesmas criaturas. Essa é  uma visão simplista na qual falta o mínimo conhecimento sobre as hierarquias em que se organizam os "espíritos" e sobre o que ocorre  nos  momentos  e  após a morte. São Jorge não é Ogum, a falange de Jorge, ou de São Jorge, é uma falange e uma legião dentro da  linha  de  Ogum,  e  ainda  assim os Oguns são anteriores à existência do ser humano Ogum, príncipe africano elevado a condição de divindade,  como  os  santos  e  deuses  de  quase  todas as religiões: um espírito humano, um  Orixá Ancestral,mas Ogum pode ser um princípio, suas cores correspondem às cores do chacra  solar onde predominam o verde e o vermelho, e suas dez pétalas  correspondem aos Oguns, como os doze xangôs correspondem às doze pétalas do chacra cardíaco. Os chacras e suas pétalas correspondem  aos reinos ou às entidades em si. E os cruzamentos o que são afinal? Há o cruzamento que é uma cerimônia  com  duas  finalidades distintas, uma firmação  entre  os  médiuns  e  as  entidades  representadas  num  reino como o das águas, rios, cachoeiras, mares, e os da mata, ou o fortalecimento  do s sensitivos,  um  reforço. Estes  cruzamentos podem incluir obrigações de agradecimento dos médiuns para com as entidades,  suas  entidades  e  na  confraria, onde não se usa nenhum tipo de sacrifício animal, a obrigação é uma referência aos reinos básicos  da  evolução  humana:  com  frutas,  flores,  velas,  bebidas.  No  caso  dos trabalhos de mar de finalização do ano da Ordem da Confraria,  os  cruzamentos  não  são  possíveis. Eles  quando existirem devem ser parte de um processo contínuo, correspondendo aos sete  anos  de iniciação ao  Umbanda  que é a fase protetor/obsessor, nessa fase o sensitivo conhece as entidades que o acompanham, aquelas  que  se  manifestam  junto  da  entidade  principal ou respondam ás suas necessidades iniciais de desenvolvimento. Chamamos esta  fase  de  obsessor/protetor  porque  a entidade ainda não se define, não consegue se manifestar melhor através da incorporação, muitas  vezes   frágil  do  médium  e   que  necessita  de  treinamento, e  da  aceitação  de  suas  mediunidades.  E  uma  longa  fase  de treinamento,  de  adequação, de alinhamento, e corresponde aos sete centros principais desde o básico, se forem sete cruzamentos no ano  ainda  serão  sobre  os  aspectos  básicos  da  formação  e  manifestação  do  médium.  Nos  anos  seguintes até o sétimo seguirá a educação  e a preparação do médium para sua manifestação, da vibração física e aquela que é sentida na pele, nos braços e nas pernas, até o  momento  da  intuição  e  da  telepatia  correspondente  aos centros superiores e aos aspectos superiores da entidade. Do menos aspecto  até  que  o  médium  possa responder por suas formas elevadas de manifestação. Uma observação mais atenta mostrará que o cruzamento  é  um processo progressivo de estímulos e ajustes cujo efeito se estende por um ano ou até pela vida inteira do sensitivo. Aonde  esteve enquanto espírito, aquilo a que foi ligado, o reino onde teve acesso, terão resultados por toda a existência, representam conquistas do  indivíduo/médium  ao  qual  somará  a  do  ano  seguinte e assim sucessivamente até que tenha completado uma fase de trabalho.  O  momento  seguinte  é  a  fase  do  protetor  e  os estímulos aos centros através do cruzamento preparam o médium para a manifestação  identificada  com  suas entidades nos aspectos mais sutis. Sobre isso falaremos nos artigos seguintes. É possível que um sensitivo  permaneça  nos  níveis  iniciais  de  desenvolvimento por longo tempo se não houver instrução e auxílio. Alguns naturalmente conseguem melhores respostas na  incorporação,  mas  raramente  conseguem compreender o que acontece nos planos dimensionais. É uma  hora   nova no aprendizado, mais do que fé ou crença precisamos hoje de conhecimento e esclarecimentos. A religião pode conter ciência e fazer evoluir e despertar o homem.

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