Ordem da Confraria Elementar Primeira do Brasil

QUIMBANDA, UM ESPIRITISMO DE BASE

QUIMBANDA  é o  mesmo que BATUQUE  e  pouco  ou  nada se escreveu que não fosse descrição das sessões, das reuniões dentro dos grupos  e  dos  rituais que  permitiram  fossem  assistidos. Quimbanda,  também  denominada  de Quiumbanda, é pura magia africana a partir da invocação de seres e de forças colocadas em movimento a partir destas invocações e das manifestações que ocorrem.

A  Quimbanda  é  uma  modalidade  de  espiritismo  cuja   doutrina  não   foi  constituída,  como  é  o  caso  da  Umbanda, e  não  surgiu espontaneamente  dos  espíritos. Surgiu  da  invocação  e  da  manifestação  de  certos  tipos  de  espíritos, de entidades, respondendo ao  comando  humano.  É  prática,  constituída  de  uma  magia  prática e da intensa manifestação e reverência aos seres que cultua. Os espíritos são  em  sua maioria os exus na forma elemental e os exus humanos, com suas entidades femininas denominadas de giras. Na realidade  todo o  ser elemental  ou elementar  possui o aspecto  feminino, existência  dentro  do  astral e  poder sobre as  energias  do astral  e  do  etérico. Nos   rituais  de  Quimbanda,  porque  a  quimbanda  é  ritualística,  se realizam  sessões  de  culto  aos seres,  em datas conforme a organização ou em períodos  que podem ser semanais, quinzenais ou mensais. Sempre de acordo com o ser e sessões de comemoração aos orixás do dirigente; é quando se pode perceber que deriva do africanismo, pelo qual teria entrado no sul do país.

A  versão mais corrente é  de que  um príncipe africano, exilado,  príncipe  Custódio,  seria  no  século  dezenove  e  vinte  o  introdutor  do  culto  dos exus, as principais entidades da Quimbanda. A sociedade religiosa entendeu  como  magia  negra  e  até  hoje  escutamos falar  “do outro lado”,  quando  se referem  à  Quimbanda  e seus rituais. Na realidade os exus nunca foram entidades  de culto isolado, com  o  precedente  criado  pela   Umbanda  e com   a  liberdade   religiosa   que  começou  a  existir  o  processo   ganhou   força   e   se expandiu  vigorosamente, oculto  sob  roupagens  de candomblé, de Umbanda  ou sob a aparência de culto afro hoje sendo encontrados praticantes  na  Europa  e  em  toda  a  América.  Não  conseguimos  definir  o  processo  da  Quimbanda  senão  como  um   espiritismo elemental, básico, intenso, de resultados e intenções mais materiais que  espirituais, em  cujos  centros  a  procura  por  soluções  para os  problemas  afetivos,  sexuais,  emocionais  e  financeiros  é  o  aspecto predominante. Os  atendimentos  são  feitos  por uma única pessoa, homem  ou  mulher  com iniciação própria, em geral uma mistura de procedimentos e conhecimentos africanistas com aspectos  de  vários  dos  grupos  originais  e  se  caracterizam  pela  troca  entre  um  humano  que  oferenda  ou  faz um agrado e uma entidade elemental, que utiliza  a  força  dos  elementos,  que absorve e transfere, para colocar energias  e seres em movimento.

Essa magia, de origem  totalmente africana,  evolui  e  é  mais  intensa  que  as  práticas  xamanistas  dos  índios. Incorpora  elementos locais que  não existiam  nos  cultos  primitivos da África, como o milho torrado, processo que consiste em remover a água da semente, sem torrá-la o que a  deixaria  em  condições de  absorver os  elementos  astrais  do  corpo  emocional do paciente e o uso da pipoca. O milho  aberto, representando  o princípio oculto dos orixás maiores, e  do  próprio  ser, expandido pela magia e predominante, que deve cobrir todo o animal  e todo  o material. Os  caminhos  devem  ser determinados  pelo  maior  que  deve  se sobrepor  ao  menor  e,  por princípios  fundamentais como esse, estabelece  um  processo  que nem todos os praticantes conhecem. Acreditamos que evoluirá para um  corpo de  doutrina  próprio, separando-se  da  Umbanda  e  do  candomblé  e  constituindo  o  que  realmente  é, uma outra prática espírita com invocações e entidades cultuadas perfeitamente identificadas. Não possui sessões de atendimento público, mas  de   culto aos seus orixás, quando pode ocorrer o atendimento de passe e orientação à assistência. São cultuados os exus que em geral são orixás menores,  mas  reverência  e  reconhece  a existência  de  orixás  maiores  e  de  barás,  que são exus maiores. Reconhece igualmente a existência  de  planos  e  do s  tatwas,  embora  não  com  essas  denominações. A   linguagem   no   português  é  simples  e  os termos ritualísticos são uma fusão de procedimentos africanistas e em algumas regiões ou locais do país sofre ainda a influência indígena.

Os  praticantes  nas  sessões  ou  utilizam  roupas  coloridas  conforme  suas  entidades,  em   geral  vermelho  e  negro,  um  única  cor ou até roupas construídas especificamente  para  a  representação da veneração dos seres. São entendidos como protetores espirituais daquele que os cultua e com os quais é “firmado”.

Essas  firmações  são   rituais  internos  de  feitura  de cabeça, feitura  de corpo e aprendizado das invocações e dos cuidados com suas entidades particulares. Os  sacrifícios  incluem animais, peixes  à gado, frutas, bebidas  e ao contrário  do que dizem os detratores, não há  nenhuma  hipótese  de  sacrificarem  seres  humanos  e  não   acreditamos  que  nem  mesmo  na  África chegasse  a  ser feito. Aos detratores  lembramos  que  os  sacrifícios  humanos  eram  comuns  à  Deus  em  Israel de dois mil anos para atrás e isso não horroriza ninguém  e  quando  ao  uso  de  animais  sacrificados  às  entidades  é  mais  digno  que  sacrificá-los  ao prazer degustativo como  nos restaurantes. São  sacrifícios   anuais  e  depois  de  tempos  em  tempos. Na  Quimbanda  ainda  próxima  dos preceitos do candomblé, os sacrifícios ocorriam  apenas  no  nascimento  e  na  morte.  Modernamente   assistimos  uma  corruptela  ritualística  e os sacrifícios são  feitos  sempre  que  o  paciente  deseja alguma coisa e o faz para comprar os favores das  entidades, como um pagamento ou  uma demonstração  de  boa  vontade. Há  corrupção  e  distorções  como  em  todos  os  processos  religiosos. Os  praticantes no início eram simples  e  nativos ou  das  populações  mais   pobres, no  sul  hoje,  encontramos  as  casas  religiosas  de seu  culto  como  as  maiores construções   ao   lado  das  construções  dos  pastores  de  uma  seita  nova,  autodenominada  do  evangelho  quadrangular,  criada  no centro-sul  do país e que conta hoje com quatro milhões de adeptos. Praticantes  de  todas as classes sociais são encontrados e quando lhes  perguntamos  o  que são dizem  que são Umbanda ou Umbanda-cruzada, uma denominação muito freqüente no Rio Grande do Sul onde  há  milhares  de  casas  ou  locais  de prática no Estado. Não sabemos  quantos  são  os  praticantes  de  Quimdanda no Brasil pela distorção   nos   sensos,  como   não   sabemos  das  outras  religiões  espíritas  que  existem. O   senso  no  início  tinha  a  intenção  de apresentar um Brasil católico e branco aos europeus e à classe dirigente e essa tendência de distorção ainda prevalece.

Os atendimentos constituem em  jogos  de adivinhação  de  búzios  ou  contas, pela  consulta  direta  às  entidades, pelo  jogo de cartas e  trabalhos  ritualísticos  para  limpeza  energética,  “abertura de caminhos”  aproximação o u afastamento de pessoas e os jornais das principais  cidades do país apresentam propaganda  oferendo  seus  serviços religiosos para solucionar problemas os mais diversos.  Não há  atendimentos de  desobsessão  e  não  há  escola  de  médiuns  nas  suas organizações,  há  o uso de velas, charuto, bebidas. Cantos específicos, tambor e instrumentos.