Ordem da Confraria Elementar Primeira do Brasil

AS DIFERENÇAS ENTRE AS RELIGIÕES ESPÍRITAS

Os processos  espíritas podem ser avaliados sob diversos aspectos e critérios, como  a  complexidade  e  amplitude  das manifestações, literatura    existente,   rituais,    número    de   frequentadores   e    até   das  experiências  realizadas.   Levando   em   conta  grau  de complexidade,  amplitude  das  manifestações  e   o maior número de mediunidades  aproveitadas temos  as classificações adotadas nas aulas e instruções do básico e primeiro nível. 


 MEDIUNIDADE

A   mediunidade   nada   tem   a   ver  com  as  religiões. O   homem  pode   ser   médium  e  pode  desenvolver  a mediunidade casual ou intencionalmente e ser católico, protestante, ateu  ou  espírita. A  mediunidade  é  uma  condição  complexa de ser em que há um nível de sensibilidade,  percepções,  capacidade  de sentir o que ocorre, sentidos  incomuns  ou  mais  aguçados, e  não  através  do  intelecto ou do pensamento, embora  possam  ser mais bem desempenhadas pela educação intelectual e  pela  concentração. Esses  são  meios  e recursos, e  não  o  processo  em si.  Assim, a origem dos pensamentos e dos sentimentos estaria nesses níveis.

O   desenvolvimento   mediúnico    não   representa   um   rompimento    com    as   religiões   e   as   crenças, mas um desenvolvimento pessoal. É uma reeducação, em que 0 enfoque passa do intelecto   para   a   sensibilidade   cada   vez  mais  aguçada   e,  por   fim, para percepções   conscientemente  estimuladas  e  dirigidas, conforme a necessidade e a intenção do sensitivo.

Todo  ser  humano  é  capaz  de  ter  percepções e sensações que podem ser certezas, não fosse o temor com que foram educados ou o silêncio  nos  processos educacionais, familiares  e  escolares  sobre  as  percepções e as sensações, os mecanismos de manifestação da inteligência e os aspectos diferenciadores entre um indivíduo e outro. Os assuntos esotéricos estão excluídos do sistema educacional e essa situação é agravada por escritores sensacionalistas.

Poderíamos  resumir  a  condição  e  a  situação  dos conceitos  sobre  o  homem  se  verificarmos   que  Hegel,  1770-1831 afirmava que “o homem é o que deve ser mediante  a  educação  e  mediante  a  disciplina... Tem  de  fazer-se  de  si  mesmo   como  deve  ser;  tem de  conquistar  tudo  por  si mesmo, justamente  porque  é  espírito; tem  de  sacudir  a  natureza. O  espírito  é,  portanto, seu próprio resultado".

Poderíamos    perguntar  o  que  é  a educação  e  o  que  é  que  se  educa  no  homem, tanto  quanto  perguntaríamos  a Hegel o que é espírito? Como cada  um de nós responderia? Que conceito temos? Assistimos a várias aulas e estamos aprendendo a utilizar os nossos potenciais  como  antes  não suspeitávamos. Será educar possibilitar que o homem conheça e, conhecendo, que possa utilizar melhor os recursos  de  sua  própria  natureza? E o que  denominam  de  espírito  não  é,  por  sua  vez,  a  denominação  do  que  chamaríamos de consciência, e consciência é a condição de perceber-se e comandar-se?