Ordem da Confraria Elementar Primeira do Brasil

O KARDECISMO

Ao  contrário  do  que  pretendem algumas correntes, o espiritismo não pode até aqui construir uma identidade, e se pode dizer que há espiritismos.  Mesmo  nos  grupos kardecistas  o problema existe, pois conforme a localidade, a direção, existem concepções e práticas diferentes:

- Aceitação ou não do passe, da fluidificação de água e a existência de assistencialismo ou de atendimentos públicos;

- Os médiuns são utilizados conforme os tipos de atendimento e de trabalhos espirituais que a casa se proponha fazer;

- Médiuns passistas, de irradiação de energia, de fluidificação, de transporte com incorporação controlada e direcionada;

- Trabalhos espirituais consistindo em preces e mentalizações;

- Atendimentos de desobsessão simples e avançada em grupos como de apometria;

- Concepção  limitada  da  natureza  do  homem e do universo, adotando os princípios kardecistas e deixando de lado autores posteriores à morte de Kardec, na concepção kardecista o médium é utilizado conforme sua condição natural, que seleciona por controle intelectual;

  - A vida depois da morte é dentro de uma concepção judaíco-cristã.

Também   autodenominado  de  espiritismo,   possui  a mais  vasta produção literária, e  um número grande de autores que, sob a ótica de  sua  doutrina,  abordam  quase  todos  os  assuntos  e  aspectos  da  sociedade  e  da  organização humana, são romances, histórias, relatos  baseados  em  aspectos da doutrina, ou tentando colocar  sob  a  mesma, o  resultado  da  produção  de  outras  organizações  e até  de  áreas  do  conhecimento  humano  como  a psicologia.  Não  se limitam  as organizações  e  há  milhões  de  leitores  em  todo  o mundo,   mas   não  avançam  ou  não  realizam  abordagens  fora  dos  aspectos  doutrinários.   Não são  textos  de  uma  profundidade maior,  as   histórias  no  entanto  procedem do mundo espiritual  através das mediunidades especiais que nessa expressão religiosa são reconhecidas   e    valorizadas,   como   a  psicografia  e  psicopictografia.  Médiuns  em  transe  total ou parcial, permitem que seres se manifestem  e  criem  relatos  e  histórias. Treinamos   médiuns  nas  mesmas  mediunidades  e  percebemos  o que ocorria e as críticas que se fazem não tem fundamento. São feitas por quem desconhece o processo. O   astral   registra   os   sentimentos,   pensamentos, imaginação, quando o autor compõe,  tem   ao   mesmo   tempo diversas   concepções   e     constantemente    elabora   e   refaz,   toda essa  atividade   intelectual,    imaginativa,  toda   a   criação,   ainda   quando  apenas  pressentida,  fica registrada  e  ligada  ao  autor. Quando  os  médiuns  sintonizam  ou dirigem sua atenção tanto podem incorporar o autor como sintonizar com os registros relativos ao autor. Pode  não ser o melhor da produção do artista, mas representará algum aspecto de seu universo verdade que através do médium se reconstrói.

O  espiritismo  de  influência  francesa, ou  kardecismo,   corrente   que  prevalece  no  Brasil,  possui  uma  grande  atividade  literária, as   melhores   construções,     administrações    bem   organizadas  e   um    público   participante   e   frequentador   em   sua   maioria pertencentes  à  classe  média. Os  limites  determinantes estão na questão teórica, que é o  parâmetro  para todas as interpretações e impossibilitam  a  renovação  técnica  e a implantação de pesquisa, não atualizam os conceitos e  métodos  de  trabalho   e   se  mantém contidas   nas  obras  de  Allan  Kardec. O  espiritismo  não  é  criação  de  Kardec e nem ele é o melhor autor, tanto que remetemos  os leitores  para  as  obras  de  Gabriel  Delanne  e  Paul  Gibier  que  permitirão ao leitor uma visão ampla do processo na visão européia. O espiritismo se  fundamenta  na  existência  dos  espíritos  e  nos  efeitos  provocados  por  eles  do  físico ao emocional humano.

Concordamos  com  essa  realidade,  eles,   os espíritos  existem,  mas  os  conceitos  e  a  experimentação  realizada  nos  centros  que conhecemos    objetivava   o    aperfeiçoamento,   mas  a   justificativa   e  a  conservação   das   afirmações.   Quando  conhecemos  os procedimentos  de  grupos  em  Porto  Alegre, Caxias  do  Sul, São  Paulo, e  em  outras  cidades,  nos surpreendeu  o  constrangimento a  que  eram  submetidos  os  dirigentes  e  a  inexistência  de  pesquisa  e  de  modernização, com a continuação do uso de uma mesma literatura.  O  resultado  foi  de  que  grandes  organizações  religiosas  no  sul  do país optaram por romper com as federações espíritas ou    foram    por    elas    descredenciadas    ao    ter     procedimentos   como    desobsessão,    fluidificação   de  água,    incorporação, cromoterapia,    cristoloterapia,    radiestesia   e   outros  procedimentos,   como   o   uso  da  homeopatia e receituário, mesmo com os cuidados  médicos  impostos  pelas  organizações  médicas,  muito diferentes do primeiro mundo. Aqui não se preserva o homem mas a instituição.

Os  centros  energéticos  e  a expansão  do  poder  pessoal, o desenvolvimento  e a aplicação das mediunidades e das paranormalidades, sequer  são  consideradas  e   quando  há   a  manifestação  de  entidades  diferentes  das  humanas  e  de  humanos  não  cristãos, mas espíritos  igualmente,  adotam  o  conceito  de  que  a  cristandade é o modelo  planetário  que  tem de ser seguido e negam a sabedoria aos  orientais  e  de  outras  épocas  ou  raças.  Com  isso  o  espiritismo  deixa  de  ser  internacional   como  pretendeu  a  princípio  se transformando  numa  nova  concepção  da moral cristã, fundamento em que se apóia. É todo moralidade. No entanto a  dedicação  dos filiados  e  dos  praticantes  é  digna  de  menção.  Nos  grupos  filiados  a  atividade  consiste  em  passes,  leitura  de  textos, preces e energização  e  assistencialismo,  sendo  outros  dos seus fundamentos  resumidos na expressão “sem caridade não há salvação”, então adotam  o  critério  de  salvação das almas, desconhecendo o astral e o que ocorre depois da morte e o critério  das reencarnações   que aceitam mas não conhecem profundamente. Creem num paraíso ou transmitem essa idéia aos filiados que entendem os espíritos como seres bons e maus, como seres que aceitam ou não a divindade e não como reinos independentes ou paralelos.

Os  grupos  mais  adiantados  realizam  a  fluidificação  de  água e trabalhos de cura, outros possuem atendimentos de desobsessão, ou psicografias   de   mortos,   realizam  a  psicografia  dos  humanos  mortos,  mas  deixam   que   seja  espontânea,  não  realizando   um interrogatório   ou   questionamento  aos  seres,  como conhecemos com  Madame  Bosc ou com o Dr. Jorge Adoum, ou na investigação dos  seres  elementais  como  conhecemos  com  Geofrey  Hodson  e  outros.  Então  há  seres  e reinos que são  deixados de lado pelos kardecistas  e  não  foram  deixados de lado por kardec, que não pode conhecê-los por ter falecido antes de sua teorização mais ampla. De qualquer modo todos os grupos podem se tornar mais ou menos independentes na parte prática mas são limitados na teoria.

O    kardecismo,   ou   espiritismo,  como   gostam  de  se  autodenominarem   os  adeptos,  tem  sua origem  em  autores  franceses,  e práticas  do  século  passado,  mas adotam a  característica  de assistencialismo, deixando de lado a pesquisa e o processo experimental que caracterizavam  os europeus da época de sua criação. Tudo indica  que  ocupou  a lacuna deixada pelas religiões oficiais, conquistou adeptos  na  classe  média,  em  grande parte pela administração eficiente das casas construídas  e  a  existência  de  uma literatura. As organizações  religiosas  são  determinadas  pelos  dirigentes. Num  encontro em Porto Alegre, assistíamos a um congresso, quando  ao nosso lado  uma  jovem  senhora,  conversando  com  dois  senhores, ao  lhes  ouvir  as opiniões sobre o espiritismo e os atendimentos, perguntou-lhes:   “Os   senhores   são médiuns?”,  e  os  dois  responderam  impávidos: “Não, somos dirigentes”. Esse relato pode bem demonstrar    os    preconceitos   com   a   mediunidade   e   a   realidade   que   encontramos   nos   grupos   espíritas   existentes,    as manifestações   dos  espíritos  são  determinadas  muitas  vezes  por  quem   não  sendo  médium, tem  na doutrina  e  na literatura  as bases de  sua atitude. Isso  deve ser modificado com o tempo e os novos médiuns possuem um interesse na informação que provocarão mudanças.

As   manifestações  de  espíritos  são  de  seres  humanos  presos  em acontecimentos, épocas e procedimentos em geral do passado da humanidade,  de  um  grupo  ou local. Podem  ser  enfermeiros, médicos  e  ou  religiosos, os  percebemos  de  todas  as  raças, mas  os dirigentes  permitem  ou  não  que  se manifestem.  Não   observamos  a  manifestação  de  seres  não   humanos,  os  elementais  e os elementares,   embora  sempre  estejam  presentes  e  apenas  alguns  anjos,  em  algumas  organizações   conseguem   se  manifestar, psicografando  ou  até  através  de  psicofonia.  Em  geral  os  atendimentos  se  limitam a passes e orientações e algumas organizações possuem  atendimentos  de  desobsessão,  que  consistem  em manifestar seres humanos, mas são feitos com a intenção de auxiliarem os pacientes e todos os atendimentos são determinados por regimentos e pelos dirigentes, não possuem rituais.

Não  há   utilização   de  indumentária  padrão, embora  algumas  vezes  solicitem  que  as  roupas  sejam  discretas  ou  de cores  claras nos    atendimentos   e   nos   trabalhadores,  denominação  em   geral   utilizada   para  os   atuantes  da   organização.  Há   nos   livros recomendações  de  doutrina  e  sugestões  de procedimentos em situações que  podem  ser  enfrentadas  pessoalmente  ou  em grupo. Os  principais livros são os de Alan Kardec, e psicografia de Chico Xavier, Rose dos Anjos, Luiz Sérgio, Hercílio Maes e outros. É um dos movimentos  que acreditamos será passivo de grande transformação nos anos vindouros com a aceitação da nova literatura existente e a fusão de procedimentos e conceitos que levarão as casa religiosas a uma transformação.