Ordem da Confraria Elementar Primeira do Brasil

A SEXUALIDADE E A ESPIRITUALIDADE

A questão sexual será um divisor de águas no processo do desenvolvimento pessoal e dentro dos grupos de desenvolvimento. O estágio complexo da sociedade humana, o liberalismo sexual e o estágio em que se encontram muitos indivíduos no planeta e as entidades  que percebemos em cada situação fazem com que não possamos mais ocultar a ligação entre a sexualidade o e o desenvolvimento mais profundo dos centros energéticos humanos. 

Que desenvolvimento pode ocorrer sem a energia sexual?

Todo  o  desenvolvimento  mediúnico  e  paranormal,  baseado  na  concentração do pensamento ou na crença, fé ou efeitos provocados pelas presenças de entidades humanas e elementais. Os centros astrais podem ser colocados em movimento, na realidade vibrados, por mantrans e  exercícios de  diversas  origens, mas  seu  despertar  somente ocorre de baixo para cima e dentro do organismo, pela força interna do próprio homem e essa força é eminentemente sexual.

 O TANTRA

Tantra  nada  tem  a  ver com  o  sexo, tantra  é  uma  atitude  para  com a vida, uma filosofia, um conjunto de procedimentos íntimos, posturas, reflexões, modo de interpretar que faz com que o indivíduo se relacione  profundamente  com  as forças existentes e com os seres.  De  origem  muito  antiga,  estava  nos   fundamentos  dos  primeiros   místicos  e  das  primeiras  religiões  conhecidas,    tendo atravessado  o  tempo  desde  as  antigas  e   desaparecidas  civilizações  até  hoje.  Oculto  dentro do cristianismo primitivo, dos rituais essênios e de outros grupos. Com as mais diferentes roupagens e nos mais distintos locais,  algum  aspecto ou fragmento dessa prática estavam  presentes  e  quando   conhecemos  um pouco mais  conseguimos  interpretar  os  relatos. Poderemos  denominar  o  princípio tântrico  como  sendo  o  mesmo  princípio  crístico, búdico  ou taoístico. Estava lá em Sakara, com I Em Hotep, cinco mil anos atrás, no símbolo da  serpente  enroscada sobre si mesma, na cabeça dos faraós;  também com os sacerdotes maias, nos pátios dos templos; nos cantos yorubas  mais  fantásticos  e nos símbolos fálicos africanos; nos templos hindus, onde imponentes figuras de pedra de deuses e deusas profundamente sexuais, se entrelaçam e amam. Toda a natureza é sexual e todos os seres que existem e nela se desenvolvem possuem polarização masculina e feminina, são  diferenciados  na  energia  e  no  efeito  que  provocam dentro de nossos corpos. Muitos  religiosos   acreditaram   que   poderiam   controlar o sexo   pela  concentração e pela negação, apenas adulteraram sua própria natureza e aviltaram-se. É mais fácil transcender o sexo pela aceitação que pela negação. Maria teve filhos e Jesus irmãos e  o caminho que referia tantas vezes era o da sexualidade. O estreito caminho, brincavam os iniciados essênios, ou gregos ou egípcios do  tempo de Jesus de Nazaré, seguramente um mestre tântrico e que conhecia o segredos dos quarenta dias e noites.  

OBSERVANDO GRUPOS EXISTENTES

Há pelo  menos quatro ou cinco grupos no Brasil cujas orientações básicas giram em torno da sexualidade e do tantra. Os conceitos são ainda indefinidos ou são diferentes em cada organização. Em  geral adotam a linguagem oriental, predominantemente hindu, raça onde a questão do tantra foi  mais  claramente  abordada. No  Tibet, no Egito e na China, há claras evidências e instruções tântricas. Um dos grupos mais ativos no sul do país  é o movimento gnóstico, pelo qual muitos esoteristas e místicos  gaúchos passaram, sua instrução no entanto é limitada às obras de um único autor e o desenvolvimento proposto é teórico e baseado  em literatura, não há experimentação mediúnica e quando ocorre é sob o controle  da  mente em rituais de invocação ou exorcismo, mas é um dos mais avançados na questão sexualidade. No entanto coloca o controle sexual como a  exigência primordial e a preparação para o controle é difícil de ser feita o que afasta  ou  limita  a  participação. Outro  dos  movimentos  onde  a  sexualidade  é decisiva no desenvolvimento pessoal é no movimento originado  a  partir  do  trabalho  pessoal de Rajneesh, Osho, que culmina em claras orientações sobre a sexualidade e o comportamento sexual, última etapa da transformação para o qual foram conduzidos. Os  adeptos  do  movimento  no  entanto possuem dificuldades de realizarem o  processo  tântrico  depois  da  liberação  a  que  foram  conduzidos,  o  movimento  como  o  gnóstico  coloca as forças em movimento,  que  denominamos  de  trabalho, principalmente com a concentração e a meditação, se o movimento gnóstico reconhece e invoca seres para  atuar  dentro  dos  corpos,  não  avança  mais  no  conhecimento  dos processos que os espíritas desenvolveram, mas assimila  os  conceitos  e  todo  o  processo  da  sociedade teosófica. Os outros grupos existentes são ligados os yôga, ao yoga, que são diferentes entre si, mas  possuem  claros  conceitos  sobre  a força sexual e técnicas de controle e de assimilação da energia e falam da força kundalini, havendo grupos no Brasil que realizam o trabalho  sexual, em grupo ou individualmente, até mesmo com “sacerdotisas” ou com pessoas  que  procuram  auxiliar  a  iniciação. Grupos de estudos de terapia e energização, que principalmente no Rio de Janeiro utilizam o tantra, mas em todos os grupos mencionados com  exceção  do  movimento  gnóstico, nenhum define com clareza o ideal e o tipo de tantra,  colocando  a  prática sexual como sendo tantra e o sentido se confunde muitas vezes. No grupo Rajneesh inicialmente é aceita toda  a  prática  sexual  e  somente  depois  são  instruídos  sobre  os  procedimentos  mais  profundos, mas aí há dificuldades de assimilação e controle. O  movimento  gnóstico,  mais correto no controle é limitado na filosofia e na cultura a que conduz o praticante. No africanismo, principalmente no candomblé de Ketu, os maiores  iniciados  sabem  da importância da sexualidade e da ligação entre a sexualidade  e  os  orixás,  Regina  de  Oxóssi, do  Rio  de  Janeiro  é  um  desses  exemplos. Nem  todos os iniciados em candomblé tem condições de compreender e chegar a esse nível de atuação dos orixás, que como todos os seres dos reinos existem em graus, faixas  e planos dimensionais.

AS EXPERIÊNCIAS EM AULA  

Nos  organizações  onde a  confraria atua e dentro das salas de aula a questão  do tantra é progressivamente colocada, mas conforme o nível de desenvolvimento. Nos  grupos  de básico a questão sexual se resume nos exercícios respiratórios associados á mantrans para a assimilação da energia sexual e nas orações do  Pai-nosso  associada aos chacras dentro do programa de desenvolvimento pelo Sistema da Águia”, que é zodiacal e trabalha as energias conforme as partes do corpo, divididas em 12 e cada uma correspondendo a um mês  do calendário solar. Com isso se procura preparar os estudantes para um progressivo controle e assimilação  da energia e uma mudança de valores, substituindo o conceito prazer  pelo  conceito  satisfação  e  criação do poder pessoal. A partir do primeiro nível são orientados a trabalhar mais a questão  da  sexualidade  e  da qualidade  do  relacionamento  á  dois.  Do segundo nível em diante a questão sexual é decisiva  e  começa  a  ser  abordada  progressivamente,  sem  menções  diretas  mas  com  práticas  que  terão  de  ser  realizadas se o estudantes  pretender  a  transformação pessoal e desenvolvimento e criação do poder pessoal. Utilizam aqui a mediunidade como meio de obter  as  respostas  que  precisam  e  para  identificarem  as  condições  internas.  As  investigações  prosseguem,  as orientações e avaliações  e  aprendem  a  trabalhar  e  limpar os canais da coluna. A passagem das energias é cada vez mais o objetivo e a ativação dos centros etéricos e astrais juntamente com o controle da mediunidade  e  seu  aprimoramento. Nesse estágio chegam ao terceiro nível e aí permanecem  até  que  possam  iniciar  o  trabalho de despertar dos chacras astrais de dentro para fora e estabelecerem um controle sobre as reações e os fenômenos  ampliados  que  um  despertar  dos  chacras  provocará. Ninguém pode despertar os chacras sem  ter desenvolvido  a  mediunidade, pois  poderá  se  confundir  e não saberá lidar com as percepções e os seres que passarão a interagir com o indivíduo.

A DIFICULDADE DA TRANSFORMAÇÃO  

Fomos  educados  com   a ideia  geral  de  que  deveremos  satisfazer  nossas necessidades e os homens, mesmo que indiretamente, de que  devem  satisfazer  suas necessidades sexuais, o que quase nunca é mencionado como sendo também uma necessidade feminina. A sociedade e a educações  dos  homens  ainda  ocorre  dentro  de  conceitos  quase  medievais  e  com  pouco  refinamento. A queixa das mulheres é pelo desconhecimento quase que total dos homens com relação ao seu processo de entrega e de estímulo. Podemos afirmar que  no  atual  estágio  a  educação sexual  deve ser eminentemente masculina pois o sucesso da relação sexual depende da ereção e da atitude masculina.

Satisfação  ou  prazer,  realização  e  transmutação  ou  vida  natural,  são  processos  educacionais  e  valores  diferentes.  Quando nos satisfazemos  qual  aspecto  do  nosso  ser  está  sendo  “realizado”? Qual necessidade está sendo atendida? Então temos necessidades físicas  diferentes  no  homem  e  na mulher, mas  temos  necessidades  energéticas,  sociais,  familiares,  emocionais,  sentimentais  e intelectuais  e  quando  nos  desenvolvemos  mais temos necessidades espirituais e até mais profundas ainda que são desconhecidas da maioria.

Há  a  satisfação  física,  orgânica e outros níveis de satisfação e de necessidades. O conceito ocidental antigo e o conceito moderno de homem nos leva  a  questionar  a  questão mais profundamente, nenhuma das mencionadas necessidades pode ser deixada de lado e se um fator predomina  no  comportamento  poder  determinar  os erros de formação e até as deficiências da personalidade ou da cultura. Temos  observado  que  as  relações  a dois tem fracassado pela incapacidade de perceber quais são as necessidades do companheiro. O parceiro  sexual  é  resultado  de outras parcerias, no homem a necessidade física pode ser predominante pelo efeito que os hormônios e as bolsas seminais provocam quando não se sabe assimilar a energia. Mas as relações são mais complexas:

a) encontramos  dezenas  de  mulheres  que  possuem  relação  física  com os companheiros e não possuem mais relações afetivas, que realmente trariam a satisfação pessoal e ao enriquecimento. Isto é o que determinamos como qualidade de relacionamento;

b) Um  dos  casos  que  tem  de  ser  mencionado  é de uma paciente que tivemos que ao ser abordada sobre a necessidade de criar com o companheiro uma condição de afetividade, respondeu que isto não era obrigação dela, que ela cumpria suas obrigações;

c) Outro  caso, de  uma  empresária,  questionada  sobre  a  necessidade  de  definir  e  até  de  reconstruir  uma  relação afetiva com o companheiro,  mostrou-se  arredia, e ao ser perguntada se relacionava sexualmente com ele, disse que sim. Podia tê-lo em seu próprio corpo e não tê-lo no coração, como é possível?  Estas são algumas das questões iniciais que nos levam a refletir sobre a questão sexual e a questão da educação social do homem, que fomos deixando de lado como se ela não fosse decisiva e importante;

d) muitas  mulheres  em várias  regiões possuem dificuldades e limites e não tem nem vida íntima nem liberdade suficiente para ter um mínimo comando sobre o próprio ser; 

e) uma  das  dificuldades está em educar cada indivíduo para cuidar do próprio corpo e as vergonhas e constrangimentos que possa ter, isto é decisivo, nos homens o formato e o tamanho do pênis é um problema, tanto como o desempenho sexual. Nas  mulheres o tipo de corpo, o formato da vulva, os grandes lábios e os cheiros típicos do corpo tem sido alguns dos grandes problemas verificados.

f) a  questão sexual  não  é  uma relação  de  órgãos  mas  uma  relação entre pessoas, energias e sentimentos, a questão sexual é uma relação do indivíduo consigo e na relação com  outras  pessoas, seja da mãe com os filhos pequenos e dos pais com as meninas; reações sexuais nos meninos e meninas que ainda não tem definida sua sexualidade e isto não é homossexualismo.   

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