Ordem da Confraria Elementar Primeira do Brasil

A sexualidade a e as religiões

Na  fase  de  excitação  há  uma  grande  alteração  tanto  física  como  emocional, mas  é  a  química  orgânica,  a partir da natureza da excitação,  que  determinará  com  mais  precisão  as  alterações. Essas  correspondem normalmente  às  fases de platô no homem e na mulher, principiam  mais  cedo  no  homem  no qual dependem mais de estímulos físicos e óticos. Na mulher os estímulos são respostas emocionais e o envolvimento, a que ela, mulher se permite, responde ao toque e à qualidade do toque. Quando a excitação aumenta, os centros energéticos são ativados de um modo sem similar, mas  essa  atividade  não  é apenas um fenômeno interno, o parceiro tanto é envolvido pelo desejo, pela paixão como pode ser  envolvido  pela  nova  condição  criada. Esse envolvimento, a profunda comunicação e identificação entre uma criatura e outra,  seja  entre  humanos, ou entre  uma pessoa e algum agente ou elemento da natureza é o que denominamos de tantra. O relacionamento íntimo é o momento  máximo  na vida a dois e na própria natureza, nessa é pela preservação das espécies e da vida física, enquanto no homem pode ser transformado na continuação da vida e na construção dos estados internos, da interioridade e do despertar dos centros. É mais do que podem supor aqueles que praticam as religiões exotéricas e é tudo o  que os esotéricos   pretenderam.  A  profunda  comunicação  entre  uma  criatura   e  outra,  reduzindo-se  as  distâncias  e  eliminando-se  as construções  destrutivas  do  “eu”,  somente  os  aspectos  e  intenções  mais  profundas  prevalecem  e são essas que são percebidas e passam a envolver o  sensitivo  e  quando  ambos  realizam  essa  comunicação  a  profundidade  permite  os  transes mais completos. O exercício do  tantra  é  a  base  mística,  o  processo  técnico  por detrás dos fenõmenos. Tanto se realiza pela constante preparação do neófito que avança, desdobrando-se nas duas direções:

a) internamente,  tornando-se   sensível   às   próprias   potencialidades   que   experimenta  e  amplia,  desenvolvendo  suas  condições mediúnicas, sua paranormalidade e sua sensibilidade.

b) externamente,  nas relações com o meio e os elementos que o compõem, quando direciona o que é o que desenvolveu, realizando-se de modo intenso e profundo.  

Os  orientais  de  grupos  de transformação como os yôgas e os sufis, por exemplo, conheciam muito do processo de excitação sexual e utilizavam de modos diversos a presença feminina. Casais  ou  dançarinas, dentro  de  rituais  internos e quase pessoais são conduzidos nessas épocas a  um  clímax, mas  prolongado  ao  limite  para  o  qual  foram preparados. É observando-os que percebemos a diferença entre um casal cheio de desejo físico e que após a relação tem o cadáver de um homem ou uma mulher insatisfeita num leito.

É  claro  que  exageramos,  os  casais relacionam-se   com  o  que conhecem e do modo como foram educados, isso é mais importante e ainda são comprometidos por conceitos como obrigação, satisfação ou prazer. Podem manter relações por obrigação social, mas podem mantê-las  para  a  própria  satisfação,  mas  satisfação  do  quê  e  de  quem?  Física, emocional, conceitual, social? Respondemos  aos estímulos familiares, aos modelos com que fomos criados, aos estereótipos criados com as raças.

Se  utilizássemos  os  modelos  orientais  antigos,  poderíamos  aumentar  a  distância  e  o  preconceito  para  com  essas  culturas.  Se utilizássemos  os  modelos  africanos  ou  indígenas, poderíamos  remeter  os  críticos  ao  argumento  de  primitivismo e teriam aí uma maneira de rejeitarem as colocações, se o fizéssemos com os místicos ou ocultistas europeus, ficariam  como aspectos exóticos, então teremos de remeter à autores modernos, desse século.

Poderíamos pretender alcançar o estágio dos mestres antigos e dos melhores das raças e não lhes repetir os métodos? Pretenderíamos inocentemente  ser  agraciados  com  a  transformação interna? Por  uma dádiva divina? Surpreendentemente para mim há Deus, Deus existe, mas  existem  também  deuses  e e ntidades em todo o Universo e o corpo de Deus é o Universo vivo de tudo o que existe numa dimensão além de tudo o que foi experimentado pelos melhores de nós. Mas pode ser percebido, pode ser relatado por seres,  pode ser experimentado de alguma forma em estados especiais de transcendência, de meditação, de transe e também de tantra.

O corpo  recupera seu sentido e as  relações ganham uma profundidade que permite pensarmos em reeducação sexual, não é mais uma questão de fisiologismo  é  uma  questão  de  relação  de  profundidade de relação, de forças, energias e corpos do homem e através do homem. De estados que poderemos alcançar naturalmente e para o qual uma grande quantidade de pessoas está pronta nesse momento.

Não  temos  condições  de educar e alimentarmos seis bilhões de indivíduos, talvez pudéssemos com uns dois bilhões e meio, e esse é o grande dilema do mundo.  Para  a  maior  parte  das  populações a vida não é uma questão de qualificação e de desenvolvimento mas de sobrevivência, para eles todo o processo produtivo mundial se volta e se comprometem as fontes planetárias. Em  algum  lugar erramos no passado de nossas relações parta chegarmos a esse ponto. Agora teremos de esclarecer e treinarmos nossos  educadores  com  uma visão de vida e de universo que não conheceram e nós próprios submetermos a uma reeducação, um reaprender que nada exclui. É aqui que entra  a  questão  sexual,  até  esse  momento  para  a  maioria  do  planeta  se  trata  apenas  de relações físicas, de instinto ou de necessidade orgânica, mas pode ser mais, pode conter afeto ou amor, pode conter o gérmen da divindade e da transformação interior.

Uma hora de tantra, de profundo envolvimento amoroso equivale a cem horas de mantras e a mil horas de orações afirmava um místico antigo,  experimentamos  em  nós  mesmos  a  realidade  profunda da transformação. O sagrado está em todas as situações humanas e quando  os  religiosos  antigos, por terem perdido as chaves do reino ou por tentar construir um outro caminho, isolaram-se, separam-se da mulher, não conseguiram completar a própria divindade. O desafio é amplo e complexo, mas pode ser aprendido e é uma  verdade que   pode   hoje  ser  experimentada.   A   transformação   obtida   no  isolamento  é  real  e  parte  do  controle  do  pensamento  e  do desenvolvimento da capacidade de concentrar e da condição da sintonia por meditação. 

A mediunidade   é  a  faculdade  da  comunicação  através  dos  sentidos  especiais  ou  condições internas representadas pelos diversos sentidos  que  se  pensava  fossem  uma  só  condição  denominada  de  sexto  sentido. Não  há  o  sexto  sentido, são diversos tipos de percepção e capacidades de respostas ligadas a uma especial condição nervosa e de sensibilidade...” (continua)  J. C. E., 27 de janeiro de 2000

O  seguinte  que  tem  de  ser  considerado  é a questão da relação íntima, o convívio com a sexualidade, no indivíduo solteiro e naquele que possui um parceiro. Essa é uma questão ampla para a qual a maioria da população mundial, incluindo o denominado primeiro mundo não estão aptos a sequer considerar. Foram educados, principalmente os homens dentro d idéia do prazer como resultado e objetivo da relação e essa é uma visão fisiologista e deformada da relação sexual, primeiramente por ser de um ponto de vista masculino e  depois, quando  é   adotado  pelas   mulheres  reforça  a  relação  como  física   e  a  mulher  como  objeto  ou  passiva  diante  de  um  processo evidentemente  masculino. O  papel  da  mulher  é  decisivo,  como  agente  despertador  e  detentora  dos estímulos que propiciarão ao homem  o   surgimento  do desejo  e  da  paixão,  mas  se  estende  e  pode  despertar amor e afetos e até permitir os fenômenos mais profundos de relação, através do tantra ou de seu próprio universo mágico. Antes no entanto da questão da energia sexual que não é o desejo, nem a tensão sexual, mas o que se libera a partir de uma atitude pessoal ou do casal, teremos de considerar o indivíduo em si e estabelecermos uma saúde sexual e uma predisposição.

A  energia  é  primeiro  física, então a relação é física e é preciso domar o corpo, a mulher com a feminilidade, cuidando-se, revelando-se  aos poucos,  assumindo  sua  condição  de  mulher, mesmo  que pense que é feia, ainda é mulher; mesmo que tenha setenta anos, é mulher; mesmo que pense que é o homem da casa,  na  verdade pode ser executiva, chefe, administradora e até comandar mas ainda é mulher. Seus  gestos  e  pensamentos,  sentimentos  e  comportamento  são de uma mulher fazendo seja o que for, assumir a condição feminina é o primeiro aspecto, não ter medo de se amar e de ser amada é o segundo aspecto, recuperar sua sensualidade é o terceiro e decisivo aspecto”.  A  educação  sexual  é  a  educação  do  homem,  que perceberá ou não o que ocorre, perceberá ou não a mulher que estará possuindo ou com a qual estará se relacionando, pois são atitudes completamente diferentes. Permitir-se o toque, estimular  as fantasias  e  ser capaz de prolongar o ato pelo tempo necessário e ser capaz da carícia com o toque, com o corpo e com a palavra são as exigências masculinas, ajudá-lo é o desafio feminino.  

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