Ordem da Confraria Elementar Primeira do Brasil

AFRICANISMO NO BRASIL - NAÇÃO E CANDOMBLÉ  

Os  comentários  sobre  a    Quimbanda,  também  conhecida  originalmente   como  a  feitiçaria básica e  elemental,  principalmente  de influência  Bant  e dos bundos e sobre a Umbanda, movimento  brasileiro e da Umbanda a magia de cura dos Bantos e dos Bundos,  que possui  a  mesma  denominação, são  para remeter o  leitor a visões  atuais  sobre  o  assunto  e  o que  praticamos  nas  instruções   da organização.  Detalhes  são  omitidos  pois pertencem  à  ritualística  e  são  propriedade  de  cada culto, cuja discussão não é pretensão nossa.

O  africanismo  tem de ser dividido em Quimbanda e em candomblé e a denominação mais correta é aplicar a denominação candomblé e seguir  com  a  nação  ou  região  africana, que  determinam  os  limites  do  processo  e a magia prática,  assim  temos  entre  outros  o candomblé  de Keto,  candomblé  d e Cabinda,  candomblé  d e Congo,  candomblé  de Bantu, candomblé de Angola e outros. Muitos dos conhecimentos   estão   perdidos   porque  eram  de  transmissão  oral,   como  em  algumas  culturas  do  mundo  antigo, sua  escrita  é hieroglífica e  no momento atual  sofrem profunda distorção através do sincretismo e da falta de organizações dirigentes que  assistam os   praticantes  com  doutrina  e  removendo  dúvidas. Essa  falta  ocorre  em  todos  os aspectos  do  espiritismo brasileiro. Quando há federações   organizadas   elas   terminam   por   se    impor   com  o   rigor  de   lei   e   são   mais   excludentes   do   que   includentes, terminando  por  criar  mais  dificuldades   aos praticantes  e  aos dirigentes. Os  principais  estudos  sobre  o  africanismo foram feitos inicialmente  por  autores  independentes  e  europeus,  como  Pierre  Verger, Gisèle  Cossard-Binon,  Claude  Lepine,  estudos   foram feitos  por  autores  independentes,  e  os  principais  de  origem   européia, como   Pierre  Verger   e   sua  assistente  sueca,  iniciados nos   rituais  e   hoje  por   um  seleto  grupo  de  palestrantes  e  conferencistas, entre  os  quais nos incluímos, mas faltam eventos no país e quem os patrocine. Quando  os eventos  ocorrem não há representatividade e os choques entre facções são predominantes.

O Africanismo  na comparação com os outros movimentos existentes é o quarto na quantidade da produção literária e na qualidade dos autores,  que  se  mantém   descrevendo  o  que assistem  ou  baseando-se  nas  lendas  que  dão origem  aos rituais. Os  escritores  do movimento  africanista  sofrem  influência  dominante  das  tradições,  da s quais  não se separa  o processo religioso e dos autores dos outros movimentos mencionados.

Quanto    à   profundidade   é,   depois   da   Umbanda,  o  de   espiritismo  onde   as  manifestações  são  mais  intensas,   ocorrendo   a incorporação,  manifestação  e  contato  com  seres  da  natureza:  dos  reinos  elementares  em  toda  a sua extensão, dos maiores aos menores, sendo  limitados  pelos  tipos  de  rituais  e  pela  formação  do dirigente. Como  a  Umbanda, também  não possui  escolas  de médiuns  e o  desenvolvimento  é  pessoal, cuja  escolha  recai  quase  sempre  sobre  familiares. De 1960 para cá começa a formação de dirigentes,  babalorixás  e yalorixás de outras raças, regiões e  países, principalmente  América do Sul. Na América Central o candomblé de  Ketu  é  praticado  com  muitas  semelhanças   ao  praticado  na   Bahia, mas  nessa  região  encontramos  outros  tipos  de  práticas que  não  são encontradas  no  Brasil.   As   manifestações  das  entidades  nos  terreiros  de  candomblé se estabelecem conforme cada grupo  sendo  determinados  pelos  orixás  do  dirigente, o fator determinante  de  toda  a  atividade  na organização. Há festas e datas para comemorações sempre ligadas a uma entidade, caracterizadas por oferendas, reuniões dos  principais  membros  da  congregação, cantos,   danças  e  atividades  particulares  do  movimento.  Os  rituais são complexos, de difícil aprendizagem, constituindo-se  numa iniciação. Um processo de  desenvolvimento  progressivo, quando  as comidas, cantos, invocações e peculiaridades de uma entidade são aprendidos. A  vida  do  praticante, em  alguns casos, é consumida em grande parte com o cuidado e a preservação desse conhecimento e  do  culto  da  entidade,  muitos  começando  sua   formação  na infância. A  maioria  dos  praticantes  tem  sua   formação  em  locais isolados  e  por  orientações  passadas  diretamente,  quase  nada  fica  escrito.  As  iniciações  ocorrem  com  rituais  sobre  os  centros energéticos,  embora  essa  expressão  não exista. Os relatos dos orientais e  dos  teosofistas  sobre  as  cores  dos  plexos  e  os  seres astrais  correspondem  às  cores  dos  orixás  e de alguns dos seres cultuados. Os dirigentes utilizam  nomes  específicos, associam  seu primeiro   nome  e  depois  o  da  entidade,  grau  e  reino  a  que pertence.  Assim  temos  “Pedrinho da Oxum ...” “Miguel de Xangô...” sendo  o  terceiro  nome  o  específico  da  entidade  e nos grupos mais desenvolvidos como o Ketu, a formação do médium implica num conhecimento  e numa  cultura   ainda  maior. Sobre  os  processos  africanistas  há  no  mercado  quase  uma centena de obras de mais de uma dezena de autores, mas apenas uma dezena ou pouco mais podem se aproximar da verdade.

A intenção,  alinhamento  e  formação  do  Babalorixá  ou  pai-de-santo,  determina todo o comando da organização, seus orixás são as divindades  dominantes  de  todos. Cresceu muito  na  América  a  partir  do  Brasil onde,  inicialmente, se  limitava à população negra e aos  poucos  conquistou  adeptos  em  todos  os níveis e classes e hoje há milhares de dirigentes,  de organizações, assim como milhões que   se  utilizam  dos  fundamentos  africanistas  em  seus  procedimentos  religiosos,  embora  seu   número  não   seja  corretamente registrado  nos  sensos. Nossos  registros  indicam  haver  mais  de  cem  mil  locais onde se pratica algum tipo de espiritismo  somente  no  Rio  Grande  do  Sul. Poderemos  afirmar  que  é uma das correntes espiritualistas mais importantes, no Brasil são mais conhecidos os  rituais  de  candomblé  de  CAMBINDA,  OIÓ,  GEGE,   NAGÔ,   IBEIXÁ,   ANGOLA,   CONGO,   IORUBÁ,   IJEXÁ,   BANTU, BUNDO e outros, cujas origens são as regiões, povos ou nações africanas. Daí o nome nação, empregado  como  uma denominação  do candomblé no sul  do  país. Não  trabalham  com os espíritos de humanos mortos, para os quais não tem uma doutrina. O espiritismo de  influência africanista,  foi  o  que  mais  cresceu  no  Brasil.  Possui  um  número  muito grande de admiradores. Não  há  escola de médiuns,  nem atendimentos de desobsessão. Quanto a obras recomendamos “Candomblé – Uma visão do mundo” de Fred Aftalo,  Editora  Mandarim;  “Herdeiras  do  Axé  –  Sociologia   das   religiões  afro-brasileiras”   de  Reginaldo Prandi, Editora Hucitec; “Os nagô e a morte – Pàde, Àsèsè   e    o  culto    Égun  na   Bahia”   de    Juana   Elbein   dos  Santos;  Os    fundamentos   religiosos   da    nação    dos    orixás”  de Paulo   Tadeu   Barbosa  Ferreira;  “Orixás  da  metrópole”   de Vagner Gonçalves da Silva; “Umbanda e Africanismo – Fim de festa.  Os fundamentos e a derradeira verdade”.